Casamento Blindado

Casamento Blindado é um livro, aliás, uma série de livros escritos pelo casal Renato e Cristiane Cardoso. Não vou comentar sobre o livro, que ficou entre os 20 mais vendidos de 2013, por um motivo muito simples. Não o li. Também não tenho interesse em ler. Mas caramba, Rodrigo, pra que este texto?

Porque não gostei do título, que me deixou com a pulga atrás da orelha. Porque acredito que o termo “blindagem” é um dos conceitos mais errados para se falar de casamento.

Uma foto para você não levar este texto tão a sério.

Uma foto para você não levar este texto tão a sério! 😛

Blindagem

Blindagem serve para proteger algo de ataques externos. Blindamos (aliás, blinda-se, cara-pálida, porque nós não temos nem queremos esse tipo de coisa). Blinda-se um carro para protegê-lo de bandidos e tiros que possam atacá-lo. Blinda-se um banco, um cofre, uma empresa. Blindagem é, por definição, uma camada que isola o que está dentro do que pode vir de fora.

Não é preciso ser um especialista para afirmar que a maneira mais fácil de penetrar um sistema blindado é por meio de alguém lá dentro, para desarmar a segurança. Por isso um ataque de fora é o menor dos problemas de qualquer casamento. Se alguém interfere no seu relacionamento, é porque tem permissão para isso.

(Não vou nem entrar na questão de que se você acha que uma pessoa linda, gostosa, rica, etc é capaz de “roubar” o seu marido/esposa, você está com a pessoa errada, ou você é a pessoa errada.)

Ciúmes e isolamento

O ponto que realmente me incomoda no termo “casamento blindado” é o isolamento. Porque isso não tem nada a ver com amor.

As pessoas costumam associar ciúmes a amor. Amor de verdade não tem ciúmes. Amor é liberdade, ausência de controle de qualquer tipo, o contrário daquele sentimento de posse. É permitir que a pessoa seja feliz sendo ela mesma, se relacionando com amigos, familiares, colegas, com a cidade, com o mundo, como qualquer ser social. Tirar isso de uma pessoa é torná-la amargurada, e adivinhe para quem esse amargor será direcionado?

Se amor é liberdade, por que amarrar-se?

Porque amor é um jogo de duas pessoas. Aí é que complica. Um relacionamento é uma brincadeira de amar e ser amado. E isso é, de certa forma, não querer magoar o seu parceiro, desejar que ele escolha ser feliz ao seu lado, e permitir isso.

Ser fiel não tem nada a ver com “as amarras da sociedade e do casamento sobre o indivíduo” ou qualquer baboseira assim. É saber que você é muito mais feliz no casamento do que seria em uma paixão momentânea. É sentir-se seguro e confiar no acordo que existe entre vocês dois, e diz respeito somente a vocês. (Até por isso há mais fidelidade em certos relacionamentos abertos do que em muitos relacionamentos “blindados”.)

A partir do momento que esse acordo não faz mais sentido para você, não existe blindagem que segure pedra morro abaixo. E às vezes é melhor assim, cada um ir para um canto. Você pode prender um gato e um rato em uma jaula blindada por uma vida inteira, isso não os tornará amigos, muito menos amantes.

É por isso que não gosto do termo “casamento blindado”. Felicidade é leve, é liberdade. Blindagem soa como um peso, aquelas toneladas a mais carregadas pelo medo das experiências lá fora. Você não precisa transportar todo esse peso por uma vida.

Liberdade. Born to be wild.

Liberdade. Born to be wild.

Amar é querer ver o outro feliz a qualquer preço, até sem você. A dificuldade em uma relação é que o outro também precisa querer o mesmo. E não existe nada mais forte do que duas pessoas que escolhem ficar juntas, mesmo dentre tantas outras opções.

Até porque aproveitar todas as belas experiências que a vida apresenta, as boas e as ruins, e ter com quem compartilhar cada aprendizado é o que faz da vida tão gostosa.

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3 Comments

  1. Que maduros vocês, um dia quero ser desse jeito 🙂

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    • Rodrigo

       /  29 de janeiro de 2014

      Até parece, né? Heheheh, a gente escreve o que a gente quer ser, o que acha certo. Chegar lá é outra história. 😛

      Responder
  2. Patrícia

     /  5 de fevereiro de 2014

    Own, que fofos.
    Pois é.. sempre existe uma imensidão entre o que queremos e o é real. O importante é a cumplicidade no que nos parece ser o certo e a busca disso.

    Do contrário, não funciona. Nem hoje, nem nunca.
    Ótima reflexão, parabéns! 🙂

    Responder

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