Obrigado por lavar a louça

Foi um sábado cansativo, com dezenas de coisinhas para resolver na casa. Uma tomada aqui, uma torneira ali, além de algumas horas de faxina, removendo poeiras e sujeiras que o proprietário anterior da casa havia deixado intocada por anos. Eu terminava de arrumar a mesa para o jantar, ela conferia algo no Facebook, quando não mais me segurei e estraguei o dia, falando daquele jeito que você deveria fazer o possível e impossível para evitar. “Deve estar muito interessante esse Facebook, para você nem ajudar com o jantar.”

É, em casa às vezes isso acontece também. :/ (Foto: This Year’s Love)

Há muita coisa por trás dessa situação, que tem mais a ver com o que acontece dentro da nossa cabeça do que da divisão de tarefas dentro de casa. Afinal, ela também havia passado a tarde inteira trabalhando, e tinha acabado de ligar o computador.

O problema da divisão de tarefas é que tendemos a supervalorizar o que nós fazemos, e desvalorizar o trabalho do outro. Isso acontece, porque tendemos a medir a dificuldade de uma tarefa de acordo com o tempo que ela é necessária para ser executada. Por exemplo, faxinar um banheiro, que leva mais um menos uma hora, teria o mesmo valor que passar a roupa de uma semana, que leva o mesmo tempo.

Só que raramente fazemos as tarefas ao mesmo tempo. Enquanto ela lava a roupa, eu estou jogando videogame. Enquanto eu passo tudo, ela está assistindo seriado. Ou seja, a mesma hora que para mim parecem quinze minutos pulando, e desviando dos monstros, para ela parecem três horas chatas. E vice-versa.

E o que é pior, nós temos, naturalmente uma necessidade de receber apreciação pelo que fazemos, principalmente se a tarefa for chata, longa, ou desgastante. A solução para essa questão está justamente o que vemos tanto em dicas para líderes: elogiar.

Obrigado por lavar a roupa, querida.

Sim, em nosso combinado é papel dela fazer isso (ela lava, eu passo). Sim, você fez inúmeras outras coisas importantes, mas isso não te dispensa da obrigação de pronunciar essas palavrinhas mágicas.

Quando você agradece, você mostra apreciação, não só pelo serviço executado, mas pelo tempo que foi gasto naquele serviço. Se ela agradece por eu ter lavado a louça, eu sinto que foi um tempo muito bem aproveitado, porque a deixou feliz. Sim, casais tem dessas coisas bobas.

É impossível equilibrar tintim por tintim as tarefas de casa. Um sempre vai trabalhar mais durante ou dia, o outro sempre vai ter mais disposição para algumas coisas. Elogiar e agradecer ajuda a trazer mais harmonia para essa relação desigual. Afinal, ninguém se casa para ficar cobrando o outro porque ele está devendo meia hora de tarefas de casa!

“Eu ajudo a lavar o banheiro!” (Foto: allerleirau)

Se quer elogio, peça!

O outro lado da moeda também é importante. Às vezes um serviço que leva horas para ser feito, quando terminado se torna praticamente invisível, ou então você tem um marido distraído como eu, que às vezes não enxerga o que está bem na minha cara.

Não vale a pena ficar sofrendo calado esperando que o outro repare sozinho em tudo o que você fez, então vá lá e conte. “Hoje eu fiz faxina no banheiro, ficou bom?” Ou então, “Pronto, terminei de lavar toda a louça, enxugar e guardar!”

Se você fez algo que deu trabalho pra caramba, não tenha vergonha de contar e pedir confete. Afinal, no casamento um pouco de confete sempre cai bem.

Leave a comment

2 Comments

  1. Carolina

     /  5 de dezembro de 2012

    Ahahah a famosa frase!
    Em casa é eu e minha mãe. Vive dando problemas desse tipo, por que você fez um monte de coisa no dia anterior e ta folgando no outro dia, enquanto o ooutro ta lá se matando.

    A melhor coisa é tentar fazer na mesma hora. Quando limpamos a casa juntas, é bem melhor. Enquanto eu aspiro e passo pano, ela lava roupa, arruma a cozinha e o banheiro dela.

    Mas calma, um dia seremos rycos e alguém fará o serviço doméstico pela gente 😛

    Valeu as dicas, principalmente a do elogio. Faz muita diferença!

    Responder
    • Rodrigo

       /  5 de dezembro de 2012

      Fazer tudo na mesma hora realmente é bem melhor, mas o duro é que nem sempre o saco de fazer alguma coisa está no mesmo nível para os dois…

      A solução, no fim, é todo mundo ter uma Rosie em casa, um robô para cuidar de tudo! 🙂

      Responder

Deixe uma resposta para Carolina Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *