Calma, você não precisa comprar um imóvel agora

“Quem casa quer casa”. Essa simples frase, aliada a setecentos anúncios do imóvel dos seus sonhos com financiamento a perder de vista, vinha nos assombrando há um tempo. Tudo isso porque não temos um imóvel nosso, moramos de aluguel, com a perspectiva de continuar assim por um bom tempo.

Não sei quem inventou que antes de casar você tem que ter um imóvel seu. E apesar de tentarmos não dar ouvidos ao que todo mundo diz, volta e meia a gente se pega perguntando se estamos fazendo tudo errado, se a gente deveria estar comprando um apartamento de 45 metros quadrados financiado em 30 anos.

Poppy At Home

"Minha casa espaçosa tem dois metros quadrados!"

Hoje essa nossa crise recebeu uma luz vinda de um texto publicado no UOL Economia, com dicas do consultor de finanças Gustavo Cerbasi, autor do livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (o livro é muito bom, recomendamos também). Nas palavras dele, muitas vezes vale a pena segurar as pontas no aluguel por um bom tempo antes de comprar um imóvel:

Ainda que o aluguel seja visto como ruim por parte grande parte dos casais, Cerbasi diz que ele pode ser o caminho mais seguro, especialmente quando os dois são jovens.

Ele cita duas consequências negativas quando o casal assume a compra de um imóvel muito cedo. Uma é a limitação geográfica que a compra dessa casa ou apartamento traz. “Você acaba condicionando suas escolhas profissionais a um certo limite geográfico, a uma cidade ou até um país, porque, afinal, está comprometido com uma moradia pelos próximos 20 anos.”

A outra desvantagem para um casal que compra um imóvel ainda jovem é o próprio aperto financeiro que essa decisão pode acarretar. Quem assume um financiamento como esse fica mais receoso em mudar de emprego e pode deixar de aceitar uma boa proposta pelo medo de ficar sem renda.

Há algumas outras dicas muito boas sobre finanças para casais no artigo, como o conselho de agrupar as finanças do casal. Não concordamos tanto com essa parte, até já escrevemos como nós dividimos o nosso dinheiro: dividimos todos os gastos do casal proporcionalmente aos nossos salários, e gastamos o que sobra com a gente.

“O maior problema decorrente da separação financeira é a possibilidade de, no longo prazo, dois comportamentos financeiros diferentes resultarem em dois perfis econômicos diferentes, ou seja: um rico e um pobre viverem debaixo do mesmo teto”.

Para solucionar este impasse, todos os nossos investimentos são conjuntos, ou seja, o que é investimento e economizado é do casal, enquanto o tutu do dia-a-dia é separado.

É complicado não ceder às expectativas, principalmente quando tudo à sua volta te bombardeia dizendo que você precisa ter um imóvel, que está muito fácil, que até o cocô do cavalo do bandido tem um apartamento e você não. Nessas horas eu tento respirar fundo e lembrar que o que a maioria das pessoas tem é uma dívida de 30 anos, e não uma cobertura nos jardins.

Por fim, excelente conselho final do Gustavo Cerbasi lá no texto: dinheiro não pode ser tabu entre o casal. Dinheiro é uma parte importante da vida a dois, porque quando falta, sobra chutes, pontapés e espinhos para todo lado. Melhor mesmo é que sobre e muito!

Agora queremos uma ajudinha de vocês. Quem dos leitores já tem um imóvel próprio, mas financiado? Na opinião de vocês, vale a pena? E quem decidiu esperar, como faz para não ceder à pressão?

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6 Comments

  1. Leila

     /  11 de junho de 2012

    meu caso é uma questão de praticidade xD
    vim morar em Valinhos pq passei no concurso mas o custo de vida é muito alto, mas provavelmente até os dois terminarem a pós (sendo q eu nem entrei ainda xD) não vai rolar imóvel próprio, até pq a gente não faz ideia de onde vai assentar o burrico “definitivamente”
    Isso é uma das nossas diferenças tbm, eu mudei mto de casa qdo era pequena e pra mim isso é algo natural, já ele quer se mudar pra um lugar e viver lá o resto da vida xD mas isso é coisa q só o tempo traz…

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    • Rodrigo

       /  12 de junho de 2012

      Eu também mudei muito de casa, pelo menos nas mudanças de cidade no ensino médio, faculdade, e umas três ou quatro repúblicas…

      Essa coisa de ficar “definitivamente” é complicada, porque apesar de não gostarmos da ideia de estarmos obrigados a ficar em um local só, a vida cigana cansa muito e tem seu lado ruim, como deixar amigos em cada cidade para visitar só de vez em quando…

      Ou seja, a gente ainda não sabe nem se quer assentar o burrico ou não! :O

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  2. Vanessa

     /  27 de junho de 2012

    A questão financiamento é mesmo complicada…
    Eu tenho uma casa em Campinas contruida com mto suor e mta mta economia e sem finaciar..optamos esperar um pouco mais pra casar….e qdo a casa estava quase pronta e o dia do casamento chegando eis q o noivo (agora esposo) recebe uma excelente proposta de promoção com uma transferência para o MT…bom aceitamos. A casa está alugada e moramos de alguel…não mais no MT mais sim no PR….ufa…mudamos bastante já…..Hj queremos morar em algo nosso…mas todas as contas q fazemos de finaciamento nos levam a esperar mais e economizar q por mais q demore mais pra adquirir o tão sonhado imóvel…perdemos menos dinheiro com o aluguel do q com o financiamento. Enfim são mtos aspectos a considerar mtas contas a fazer…sem contar as caracteristicas do casal pra levar em conta…não existe formula…cada casal é um…bjão

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    • Lívia

       /  28 de junho de 2012

      Oi, Vanessa!
      Sua história é um grande exemplo de que às vezes temos que abrir mão dos nossos planos, sair do caminho pré-definido, para seguir em frente.
      Financiar ultimamente está inviável, muitos juros, preços nas alturas, nenhuma garantia de entrega, muito menos de qualidade. E a vida muda tanto…
      Mas um dia teremos nossos cantinhos, né?
      Beijos!

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  3. Sidney

     /  2 de outubro de 2012

    Eu não acredito que se possa ter um imóvel próprio, porém financiado. Enquanto ele não está quitado ele é de quem lhe emprestou o dinheiro, ou seja, do governo federal (se você pegou empréstimo na Caixa Econômica Federal). Quem pega um empréstimo por vinte ou trinta anos deixa de pagar aluguel a um particular para pagar a um Banco. No final, fica com o apartamento velho nas mãos, para ter uma velhice mais segura. Em contrapartida, pagou durante a vida toda uma enorme “mensalidade” para que alguém tivesse uma boa vida, ou seja, algum Banqueiro. Resumindo minha opinião: não pegue empréstimo alto e a longo prazo. Dinheiro não dá em árvore!

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  4. João

     /  25 de outubro de 2012

    Acredito que vale a pena financiar um imóvel, porem, quando você ter condições de financiar dentro de um período máximo de 10 anos. Acima disso é loucura.

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