Feliz dia das mães!!

Chegou aquele dia de [vender panelas de pressão] homenagear aquelas que nos deram a vida. O dia de quem nos carregou nove meses e nos suportou por mais tempo ainda!

Estou iniciante nesse dia e ainda estou me adaptando a esse novo universo de muitas flores, fraldas e noites mal dormidas.

Atingi a metade da gestação e tem momentos em que não caiu a ficha de que logo, logo, um serzinho vai animar as madrugadas por aqui. Em outros momentos, morro de ansiedade pra ver seu rostinho, segurar no colo. Muita expectativa.

É muito maluco pensar que, neste momento, tem uma vida que depende totalmente de mim. É algo visceral, mas também espiritual. É pensar que, diante de tantas mamães no mundo, esse bebê me escolheu. Uma enorme responsabilidade. Um grande honra.

Quando eu e o Rodrigo decidimos nos tornar pais, sabíamos que nossa rotina seria virada do avesso. Que mudariam as prioridades e o orçamento doméstico. Eu, particularmente, sabia que a mudança começaria do meu corpo. Errado. A mudança começou na cabeça. Tantos sentimentos conflitantes convivendo no meu coração. Amor por essa nova vida. Medo de não dar conta. Euforia com a grande aventura. Alegria dividida com nossa família. Culpa por colocar um serzinho nesse mundo caótico. Ansiedade com os preparativos. Gratidão pela gestação saudável. Irritação provocada pelos hormônios enlouquecedores. Carinho e cuidado. Sono e fome. Aconchego. Amor. Amor. Amor.

Bebê: mamãe e papai estão apaixonados com a sua chegada. Você é muito bem-vindo!! Que chegue setembro!!!

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Eu vou ser papai!

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Calma. Respira. Sim, é isso mesmo. Dona esposa está grávida de uma pequena versão misturada minha e dela. Não é fantástico isso? Já posso me considerar oficialmente obsoleto, agora que a versão nova está vindo aí.

Tudo começou numa tarde de abril de 2011, quando dissemos os votos na frente dos amigos e familiares. Não, foi num primeiro de setembro alguns anos antes. Ou melhor, numa tarde de julho… Começo finalmente a entender o Ted, de “How I Met Your Mother”. Quando as coisas realmente… começam? Não sei. Mas olha, dar o próximo passo é uma sensação incrível.

Eu sou um cara prático.
“Estou grávida!”
“Preciso transformar o escritório no quarto de bebê.”

Brincadeirinha, isso não foi a primeira coisa que me passou pela cabeça. Primeiro eu fiquei bem feliz. E com um pouco medo. E feliz. E sei lá, é coisa demais que passa pela sua cabeça nessa hora. Inclusive o tal “preciso transformar o escritório no quarto do bebê” em algum momento.

Medo? Claro que existe medo. São tantas mudanças, tantas implicações, tantas responsabilidades. Sim, é tudo para melhor, mas isso não impede o frio na barriga. Ok, não vamos chamar de medo, vamos chamar de “responsabilidade”.

Responsabilidade é uma coisa engraçada. Não só porque eu preciso prover materialmente à minha família (freelas indo de vento em popa, graças a Deus!) A parte material é “fácil”, sempre achei que eu seria capaz de dar um jeito se as coisas ficassem ruins de repente. Responsabilidade é outra coisa. É saber que logo logo eu vou ter um par de olhões lindos e curiosos assistindo a tudo o que eu faço.

Aliás, assistindo a tudo o que eu sou. Sabe aquela coisa de dar o exemplo? É pior que isso. É SER o exemplo. Eu sempre acreditei em cunhar um caminho para ser feliz, que tem a ver com buscar uma qualidade de vida por meio de um trabalho que me satisfaça. Viver de freela, trabalhar com escrita, tocar a Trasgo com paixão. Tudo isso é uma escolha de vida. Ou melhor, escolha de valores.

Quando você recebe a novidade a ficha não cai. Demora um pouco para aquilo se tornar real. Primeiro, é só duas listras num palito doido. Depois é só um numerozinho num exame de sangue. Ok… Taxa de hormônios alterada. Aí veio o primeiro ultrassom. Não importa que ele parece um feijão. Que ele tem só 1,5cm. Esse feijão se mexe e esse feijão é seu filho. É aí que as coisas se tornaram reais.

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Eu vou ser papai. É de verdade!

Depois o feijão ganha braço, perna, e ele se mexe! E tem um coraçãozinho que bate mais rápido que o créu na velocidade 5. Gente, ele não nem nem cinco centímetros e já vai para lá, para cá. Coisa doida.

Você imagina coisas aleatórias a qualquer hora do dia. Como vai ser legal ver a criança dormindo em cima da cachorra (ou embaixo, vai saber). Ou quando essa pessoinha vai crescer e dar uma voltinha de moto. Ou quando a gente vai mostrar todas as coisas legais como Alladin e O Rei Leão.

E tem as consultas à obstetra. Como eu faço meu próprio horário, vou em todas. Você começa a se familiarizar com coisas obscuras como hormônios femininos e procedimentos de parto. E começa a se assustar com coisas que você nem sabia que existia. E descobre que existem toneladas de vitaminas e complementos específicos para mulheres grávidas.

E isso é apenas o começo. Já começamos a estudar sobre cadeirinhas, bebê conforto, sling e o misterioso mundo dos bebês. (E do capitalismo voltado a bebês. Loja de usados, aí vou eu!)

Mal posso esperar. Vai ser o maior barato!

PS: Por enquanto, continuem mandando essas lindas indicações de freelas que estão me ajudando muito!

PPS: Não, nós não sabemos o sexo. Nem nomes.

PPPS: sorvete

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Passeio de moto para Ouro-Fino

No sábado, após um mês combinando por e-mail e algumas desistências, partíamos para um passeio com amigos que também adoram andar de moto. Nosso dia começou às 8h da manhã, quando Ângelo e Aline apareceram em frente de casa para o que seria um longo e divertido dia em cima das motos. A minha, uma Teneré 250, e a do Ângelo uma Bros 150. Jaqueta, luva, bota, água, e toca para Holambra!

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Lá tomamos um café na Confeitaria Martin Holandesa. Enquanto os outros foram mais comedidos, fui direto para a panqueca com maçã, açúcar e canela! Depois de bem alimentados, fomos ao maior moinho da América Latina. :)

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De volta à Estrada, fizemos uma breve parada na divisa do estado de São Paulo com Minas, para esticar um pouco as pernas. Dali para frente, a estrada estaria um pouco pior, mas felizmente sem muitos buracos.

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Almoçamos um belo prato mineiro, com feijoada e couve, no Restaurante Don Paolo. Depois, para fazer a digestão, um pulinho na casa da Vó, comer um queijo, tomar um café, jogar conversa fora e ouvir um pouco de piano ao vivo!

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Decidimos ir até a fazenda de meu avô, o que significaria uns 15km de estrada de terra, além de subir uma serra de terra solta. Logo antes de subir, uma parada na cachoeira para um selfie.

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Serra acima, Aline fez amizade com os animais locais, e subimos mais ainda de moto pelas estradinhas da fazenda, que segundo meu tio, “estavam ótimas”. Só que não. Alguns escorregões, mas nenhuma queda, e fomos recompensados por este visual.

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De volta à estrada, para não dizer que tudo foi perfeito, Ângelo, eu e mais três carros tomamos uma multa por ultrapassar um caminhão (que estava a 15 km/h) em faixa dupla. O policial estava logo a frente, e parou todo mundo. Não teríamos ficado meia hora parados para receber aquela multa se os outros motoristas não ficassem de conversinha com o policial.

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Antes do fim da noite, uma parada em Jaguariúna para uns petiscos.

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Chegamos em casa exaustos e já conversando sobre qual pode ser o próximo rolê! Foram pouco mais de 300 km no total, um dia lindo, com um visual incrível!

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Se você estiver curioso, o percurso foi mais ou menos este aqui.

Mapa

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Quero uma vida mais simples. Mas o que é isso?

Tudo começou com a seguinte frase no Facebook:

“Sou o tipo de cara que fala para a esposa que queria uma vida mais simples dois dias depois de comprar uma moto maior. Parabéns, champs.”

Em seguida vieram os amigos comentando que isso é ilusão, que uma vida afastada da cidade tem mosquitos, é longe do supermercado e que o legal da vida é ter uma TV de 60”. Tudo o que consegui pensar foi “gente, não! Uma vida mais simples não significa se mudar para longe da civilização!”

Rapaz feliz com a moto nova. :)

Rapaz feliz com a moto nova. :)


E veio a pergunta que este texto tenta responder. O que eu entendo por uma vida mais simples?

Porque esse é o tipo de coisa óbvia, lugar comum, todo mundo sabe o que é uma vida mais simples. Será? Você consegue explicar o seu ideal de simplicidade para alguém?

Antes de mais nada, vamos começar por alguns pontos:

  • Falar em “vida simples” só é possível depois de satisfeitas todas as necessidades básicas humanas. Ou seja, saneamento básico, alimentação adequada, abrigo e saúde física e mental. Fora disso, não é simplicidade, é pobreza.
  • A busca pela simplicidade só faz sentido quando este conceito faz parte do seu ideal de felicidade. Senão, nada deste texto funcionará para você.
  • Não existe uma medida única de simplicidade. Uma vida luxuosa para um pode ser considerada simples para outro. Isso depende da sua renda, cultura e situação social.

Com a dificuldade em definir o que é uma vida simples, vamos tentar o oposto. Simples é o oposto de “complicada” ou de “luxuosa”?

Lembro-me de um texto sobre como a classe média-alta paulistana se mata de trabalhar para manter um padrão de vida quase incompatível com sua renda. Acumula babás, carro extra para o rodízio, casa na praia, móveis de luxo e roupas assinadas por designers, mas não tem tempo de usufruir tudo isso. Precisa trabalhar mais para manter toda essa estrutura, se tornando escrava deste padrão de vida, muitas vezes aguentando empregos desgastantes apenas pelos bons salários.

Aí está uma definição do contrário do que seria uma vida simples.

Certo, então colocamos o consumismo exacerbado como o vilão da história. Mais ou menos, se você reparar bem a questão não está no consumo, mas o quanto você tem poder para consumir e quanto tempo você quer se dedicar a isso.

Essa definição de tempo é importante, porque ter uma TV gigante de 60” pode custar 5 minutos de trabalho de uma pessoa mais rica, e dois meses de trabalho de outra. Transformar tudo em tempo pode confundir, mas é a única medida universal. Todo mundo tem só 24 horas por dia e 7 dias por semana aqui neste planetinha azul.

E se você está dedicando semanas, ou até meses da sua vida somente para ter uma coisa, pode ser que haja algo errado. E aí talvez esteja o verdadeiro oposto da simplicidade.

Faremos um outro parênteses aqui. Ter um carro pode significar ganhar duas horas a mais no seu dia, que poderão ser dedicadas a outras atividades. Mas trocar para um carro bem maior não. Ao mesmo tempo, ter um carrinho velho significa perder horas e paciência com mecânicos. Ter um utilitário enorme pode significar algumas voltas a mais no quarteirão encontrando vaga para estacionar. Tudo isso para dizer que não existe uma medida única para as coisas, e é muito difícil achar o meio termo em cada uma delas, principalmente porque isso varia para cada um. (Lembra que a definição de simplicidade tem medidas diferentes?)

Então voltamos à questão do “ter”. Ter coisas é útil e necessário à vida, à economia e à sociedade. Ninguém quer voltar ao tempo das cavernas! O problema é quando ter deixa de ser algo prazeroso e passa a ser uma obsessão, um apego exagerado aos bens materiais. Isso chama-se “materialismo” e tem tudo a ver com esta história de vida simples.

Okei, chega de parênteses e vamos tentar definir o que é uma vida mais simples.

Um lugar comum do conceito é você tentar fazer tudo por conta própria: a faxina da sua casa, suas roupas na máquina de costura, plantar e colher seu próprio alimento, criar galinhas no quintal e qualquer outro estereótipo de “vida simples” que você possa imaginar. Mas sabemos que o nosso tempo é limitado, então para que eu vou perder oito horas por dia plantando batata, se eu posso trabalhar 20 minutos na minha profissão e comprar no mercado?

Esposa e eu compramos um notebook novo, cheio dos paranauê. Não ficou barato, mas além do tempo que economizamos ao não ter que esperar dez minutos para ligar, a energia mental que gastávamos tentando fazê-lo “funcionar” estava terrível. O mesmo vale quando às vezes tentamos arrumar demais uma coisa que realmente não tem conserto, isso nos toma tempo e desgasta. Muitas vezes é mais simples comprar novo.

A menos que uma dessas atividades citadas lhe dê prazer, mas essa é outra história. Tempo e energia são coisas diferentes, mas este artigo já está complicado o bastante, por isso vamos ficar só com o tempo mesmo.

Então uma das definições possíveis de uma vida mais simples fica quase um tratado econômico:

Viver de maneira simples é trabalhar o menos possível nas coisas que você não gosta, evitando o materialismo, assim buscando cada vez mais tempo para fazer as coisas que gosta.

Desapontado? Entendo, também fiquei ao chegar nesta conclusão. Foi quando percebi que está faltando uma parte importante da questão: nós não vivemos em terceira pessoa.

Não basta ficar na parte funcional de cada coisa. Aliás, esse foi um dos grandes erros do socialismo, pasteurizar todos os bens de consumo, numa tentativa de eliminar o desejo. Mas o desejo é um dos motores do mundo. É uma das coisas que nos faz se levantar de manhã.

Essa história começou com uma moto nova. Consigo argumentar que comprei uma Teneré para um conforto maior ao viajar, para conseguir pegar estrada de terra, para isso ou para aquilo. Só que, querendo ou não, a anterior cumpria com 99% do que eu precisava. Comprei porque eu queria. Sempre vai ter algo mais caro com aquele 1% a mais.

E se essa moto atende a todas as minhas necessidades, porque eu fico pensando que um dia eu terei uma Transalp? Ou por que não desgrudei os olhos ao ver uma Triumph Explorer passando na rua?

Desejar faz parte da vida. A pessoa sem ambição nenhuma costuma estacionar, somos feitos para caminhar sempre adiante. Como equilibrar tudo isso? Foi então que isto clicou na minha mente:

Uma vida simples é um estado mental.

Uma vida simples é um estado mental de gratidão. De ser feliz com o que você tem.

Quando você é grato pelo que tem, a ansiedade em ter mais, buscar coisas maiores e mais caras, diminui muito. Uma vez que você não está de olho sempre na próxima compra, é possível estabelecer uma relação mais saudável com seu dinheiro.

Pode significar uma mudança de vida, se desfazer de alguns objetos, se mudar, talvez não. Mas está ligado a se apegar menos às coisas, porque ter muitas delas gera um custo financeiro e emocional de mantê-las. Uma vez que vão embora você se sente mais leve.

Eu ainda quero aquela Transalp. Mas não agora, nem no ano que vem. Talvez um dia, quem sabe. Eu tenho uma bela moto, que me traz muito prazer em pilotá-la.

“É muito fácil dizer isso quando você tem uma moto maior que 90% das que você encontra nas ruas.” Sim, eu sei. Mas esse é o ponto, é olhar para baixo e ver como você é privilegiado em vez de olhar para cima e tentar ganhar mais e mais.

Estrelinha simprona. Só precisa de um cantinho para dormir gostoso para ser feliz!

Estrelinha simprona. Só precisa de um cantinho para dormir gostoso para ser feliz.

Me desculpe, eu não tenho a receita.

Talvez você tenha buscado aqui uma receita para uma vida mais simples. É o que eu procurava quando comecei a pensar neste artigo, até chegar à conclusão de que isso está longe de ser um conceito fácil.

Todo este artigo é um exercício para organizar as várias ideias que circulavam em minha mente, naquela perguntinha que ninguém sabe responder de verdade: “O que você quer da vida?”

Então, para resumir, se você pulou todo o texto veio direto ao final, uma vida mais simples não tem nada a ver com ir plantar mandioca no interior do Ceará. Significa, talvez:

  • Usar o seu dinheiro para ter mais tempo para fazer as coisas que gosta. O contrário de deixar de fazer as coisas que gosta para ter mais dinheiro.
  • Menos materialismo, menos apego às coisas.
  • Ser feliz e grato com o que você tem, e assim controlar a vontade de querer ter mais.

Este é, pelo menos, o meu caminho. Qual é o seu?

Ficaram de fora deste texto várias questões sobre vida simples, como outras formas de ambição e crescimento não ligadas a bens materiais; o medo e o consumo; a simplicidade nos relacionamentos; a grama do vizinho; o gerenciamento da sua energia em vez do tempo. Tópicos complexos o bastante que dariam um post exclusivo cada um.

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Casamento Blindado

Casamento Blindado é um livro, aliás, uma série de livros escritos pelo casal Renato e Cristiane Cardoso. Não vou comentar sobre o livro, que ficou entre os 20 mais vendidos de 2013, por um motivo muito simples. Não o li. Também não tenho interesse em ler. Mas caramba, Rodrigo, pra que este texto?

Porque não gostei do título, que me deixou com a pulga atrás da orelha. Porque acredito que o termo “blindagem” é um dos conceitos mais errados para se falar de casamento.

Uma foto para você não levar este texto tão a sério.

Uma foto para você não levar este texto tão a sério! :P

Blindagem

Blindagem serve para proteger algo de ataques externos. Blindamos (aliás, blinda-se, cara-pálida, porque nós não temos nem queremos esse tipo de coisa). Blinda-se um carro para protegê-lo de bandidos e tiros que possam atacá-lo. Blinda-se um banco, um cofre, uma empresa. Blindagem é, por definição, uma camada que isola o que está dentro do que pode vir de fora.

Não é preciso ser um especialista para afirmar que a maneira mais fácil de penetrar um sistema blindado é por meio de alguém lá dentro, para desarmar a segurança. Por isso um ataque de fora é o menor dos problemas de qualquer casamento. Se alguém interfere no seu relacionamento, é porque tem permissão para isso.

(Não vou nem entrar na questão de que se você acha que uma pessoa linda, gostosa, rica, etc é capaz de “roubar” o seu marido/esposa, você está com a pessoa errada, ou você é a pessoa errada.)

Ciúmes e isolamento

O ponto que realmente me incomoda no termo “casamento blindado” é o isolamento. Porque isso não tem nada a ver com amor.

As pessoas costumam associar ciúmes a amor. Amor de verdade não tem ciúmes. Amor é liberdade, ausência de controle de qualquer tipo, o contrário daquele sentimento de posse. É permitir que a pessoa seja feliz sendo ela mesma, se relacionando com amigos, familiares, colegas, com a cidade, com o mundo, como qualquer ser social. Tirar isso de uma pessoa é torná-la amargurada, e adivinhe para quem esse amargor será direcionado?

Se amor é liberdade, por que amarrar-se?

Porque amor é um jogo de duas pessoas. Aí é que complica. Um relacionamento é uma brincadeira de amar e ser amado. E isso é, de certa forma, não querer magoar o seu parceiro, desejar que ele escolha ser feliz ao seu lado, e permitir isso.

Ser fiel não tem nada a ver com “as amarras da sociedade e do casamento sobre o indivíduo” ou qualquer baboseira assim. É saber que você é muito mais feliz no casamento do que seria em uma paixão momentânea. É sentir-se seguro e confiar no acordo que existe entre vocês dois, e diz respeito somente a vocês. (Até por isso há mais fidelidade em certos relacionamentos abertos do que em muitos relacionamentos “blindados”.)

A partir do momento que esse acordo não faz mais sentido para você, não existe blindagem que segure pedra morro abaixo. E às vezes é melhor assim, cada um ir para um canto. Você pode prender um gato e um rato em uma jaula blindada por uma vida inteira, isso não os tornará amigos, muito menos amantes.

É por isso que não gosto do termo “casamento blindado”. Felicidade é leve, é liberdade. Blindagem soa como um peso, aquelas toneladas a mais carregadas pelo medo das experiências lá fora. Você não precisa transportar todo esse peso por uma vida.

Liberdade. Born to be wild.

Liberdade. Born to be wild.

Amar é querer ver o outro feliz a qualquer preço, até sem você. A dificuldade em uma relação é que o outro também precisa querer o mesmo. E não existe nada mais forte do que duas pessoas que escolhem ficar juntas, mesmo dentre tantas outras opções.

Até porque aproveitar todas as belas experiências que a vida apresenta, as boas e as ruins, e ter com quem compartilhar cada aprendizado é o que faz da vida tão gostosa.

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Sair do aluguel por quê?

Bombardeado com as propagandas de construtoras, ofertas do governo e a loucura imobiliária, de repente assumimos como corriqueiro comprar uma casa ou apartamento. De repente parece que se você paga aluguel, você fracassou ou está fazendo algo errado na sua vida.

Resolvi parar de me afligir com a pressão e tentar respirar e ver qual é a real, naquela boa e velha listas de vantagens e desvantagens. Claro, não estamos criticando a decisão de ninguém, longe disso, apenas tentando descobrir o que é melhor para nós. :)

Na minha cabeça isso é um exemplo válido de casa para comprar.  (Foto: crises_crs.)

Na minha cabeça isso é um exemplo válido de casa para comprar. (Foto: crises_crs.)

Vantagens de se comprar um apartamento/casa.

Aqui há uma pegadinha, que geralmente esquecemos. É preciso diferenciar o momento em que você já mora em uma casa própria, totalmente quitada, e o momento em que você está pagando as parcelas. Mas vamos lá, as vantagens:

– Poder decidir tudo, quebrar paredes, trocar pisos, louças, janelas e o que quiser. Claro, lembrando que isso custa dinheiro e muitas vezes transtorno.

– Poder resolver os problemas da casa por conta própria e bem feito. Deu infiltração? Compre um bom isolante, contrate um pedreiro e pronto, sem precisar ligar, negociar e chorar para o proprietário resolver.

– Você tem um imóvel só seu, uma garantia de teto para tempos de crise.

Desvantagens de se comprar um apartamento/casa

Todas essas são histórias verídicas de conhecidos nossos. Os nomes foram trocados.

– Isabel e o marido compraram um apartamento de 53 m² na planta. Quanto mais perto da entrega, mais triste a ideia de ter que se mudar para o aperto. No fim, decidiram vender o novo apartamento.

– Juliana se mudou para o apartamento novinho. Três meses depois uma república barulhenta aluga o andar de cima, gerando uma série de transtornos. Já vi o mesmo caso acontecer com igrejas, bares e baladas próximos.

– Raquel comprou sua casinha dos sonhos em um condomínio fechado no interior de Minas. Dois meses depois o marido recebeu uma mega oferta de trabalho em Campinas, e vieram os dois de mala, gato e cachorro para Campinas. Ao mudar de cidade você muda de casa. E se só mudar de emprego e tiver que atravessar a cidade inteira todo dia? Vale à pena vender e comprar outra?

Há também as desvantagens de pagar um negócio desses.

– Muitas vezes as parcelas equivalem a um aluguel. Mas como é um financiamento, você vai ter que pagar, por 10, 20, 30 anos. Mas e se algo acontece no meio do caminho, você perde o emprego, a grana aperta? A questão é que uma das principais vantagens do imóvel pronto, de “sair do aluguel”, só aparece depois de todo esse tempão. Até lá muita água pode correr.

Ok, o aluguel. Vamos começar pelas desvantagens.

– “É dinheiro jogado no lixo, você não tem nenhum retorno disso”. Ok, não é um financiamento ou investimento, mas é difícil falar que ter um teto para mim, esposa e cachorro é nenhum retorno.

– Você vai ter que aceitar aquela parede entre a cozinha e a copa que não faz sentido nenhum, a escolha bizarra de azulejos da cozinha, os tacos soltos e a linda decoração do banheiro inspirada nos anos 60.

– É difícil se animar a melhorar a casa quando ela não é sua. Como resultado, você acaba convivendo com incômodos como aquela porta que não fecha direito ou chutar o taco solto do corredor dia sim dia não. (Ok, eu vou colar isso, só não hoje.)

Vantagens de se morar de aluguel

– Você não fica preso em um lugar. Se abrir uma igreja/bar/boate do lado da sua casa, você manda um abraço e foge. Se você mudar de emprego, mude de casa junto.

– Ok, você tem uma conta pesada para pagar todo mês. Mas se a coisa apertar, dá para se mudar para um lugar mais barato. Em último caso você vai morar na edícula dos pais.

– Dá para experimentar um bocado de estilos de casa, arquitetura e decoração antes de escolher a sua.

Mas, pessoal do sofá, comprar uma casa é um investimento!

Sim, concordo plenamente, é um investimento que pode render bons lucros no futuro. Acontece que se for um investimento, você tem que pensar como investidor, ou seja, estudar seriamente a possibilidade de valorização daquele imóvel e região específica.

Investir o dinheiro é aplicar em algo que você espera um retorno em determinado prazo. Hoje quase todo imóvel acaba valorizando, uns mais outros menos, mas como não tenho conhecimento quase nenhum sobre mercado imobiliário, tenho muito receito de investir e me dar mal depois (ser pego em uma bolha imobiliária). Ou de não conseguir vender aquele apartamento de 45 m² que comprei apenas para revender.

Então sim, investir é muito importante. Mas imóveis não são o único investimento possível. Às vezes você pode se dar infinitamente melhor investindo em outra coisa e comprar o seu imóvel com o retorno deste investimento depois de dez anos. Novamente, é preciso ter conhecimento da área de investimentos para tomar essa decisão. Infelizmente, eu não tenho.

Por último, este texto diz respeito à nossa situação econômica atual. Não temos condições de pagar as parcelas de um imóvel pronto como realmente gostaríamos de morar, e também não conseguimos expremer um aluguel e mais uma parcela de algo na planta, ou de um terreno.

Chegamos à conclusão que o melhor para nós hoje é tentar sim economizar e fazer pequenos investimentos, mas não em um imóvel. Mais para frente, quando formos rycos, a gente compra um. E sim, a gente sempre acha que daqui a uns anos vamos conseguir.

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Em sete meses a Estrelinha já comeu…

Em sete meses a Estrelinha já comeu toda a casinha de papelão dela. Três vezes. Até nos convencer a comprar uma de verdade. Já comeu duas coleiras, uma delas irreconhecível depois da façanha. Comeu folha, papel, mato e pedra.

Estrelinha

Já entrou sorrateiramente em casa para pegar um sapato da Lívia e mastigá-lo. Isso foi antes dela comer o chinelo e destruir a almofada nova, a rede da minha mãe e o vaso da minha sogra.

Cansou nossos braços, ombros e pernas puxando a guia em seus passeios, correndo de um lado para o outro desesperada. Arrebentou duas coleiras e uma guia. Hoje ela usa uma para cachorro de grande porte.

Comeu a roupa cirúrgica após a castração. Ganhou um cone da vergonha e já deu umas mordiscadas. Mordeu o tapete da entrada e destruiu muitas bolinhas de meia. Deu um rolê pela casa, mesmo sem autorização, pulou na nossa calça e sujou de barro. Muitas, muitas vezes.

Mas com a Estrelinha não tem tempo ruim. Aqueles olhões brilhantes, a cara sorridente, o focinho molhado no colo. O desespero A alegria em passear lembra a gente de aproveitar as coisas simples da vida.

Talvez ela tenha entrado em nossas vidas não apenas para alimentar nosso Instagram, mas para mostrar que você não precisa de brinquedos caros, um farrapo velho está ótimo. Esquece aquela bolinha importada, eu quero uma meia para mastigar. E importante mesmo é carinho, afago e um belo pote de ração. 😉

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Testemunhas de café da manhã

Esse post começa com um ótimo texto de Ruth de Aquino, colunista da revista Época. Um trechinho:

Há os depoimentos compungidos de amigos ou parentes que revelam estar falidos, sozinhos ou doentes, quase implorando uma atenção. Há uma turma cada vez maior que publica fotos de filhos, cachorros, gatos e netos para uma legião de gente que não está nem aí. Há quem aceite qualquer “amigo” em nome de uma popularidade fictícia. Há os que correm para o Facebook no minuto seguinte de levar um “pé na bunda” para mudar o status de relacionamento – e se declarar disponível. Há os militantes religiosos, políticos e esportivos, sempre torcendo para seu deus, seu partido e seu time. Há, como sempre, os malas invasivos, para quem você mesmo abriu as portas de sua linha do tempo, de sua página e até de sua casa. (Mais aqui.)

Desde que as redes estão por aí, as pessoas estão ali compartilhando. Postando o que comem no café da manhã, o que estão lendo, com o que sonham. É natural para as gerações mais novas.

Parece que o que a galera realmente quer é uma testemunha para as suas vidas, ou mesmo uma legião delas, prontas para clicar em um “like”, um número a mais para nosso incrível placar virtual.

Hubei May June 2011

Tenho medo de ficarmos assim. Olhando posts no Instagram,
vivendo a vida dos outros em vez da nossa.

Casamento não é uma coisa fácil de entender. Para que se dar ao trabalho de viver com alguém, de se alinhar, de abrir mão de tanta coisa? Estamos ainda dentro do mesmo território, nós, humanos, temos a necessidade de que alguém nos seja testemunha, que outros acompanhem nossa vida, o que fazemos.

Como diz o ditado, “quando casamos, escolhemos alguém para ser testemunha de nossas vidas”. Alguém com quem você compartilhará segredos, histórias, momentos felizes, tristes, sonhos públicos, mas principalmente, os sonhos secretos, que não queremos revelar nem a nós mesmos. Alguém que com o tempo saberá muito mais sobre você do que você admite a si mesmo.

O tipo de coisa que geralmente se compartilha no Facebook é o tipo de coisa que se compartilha no casamento. Ideias, vídeos, textos, sonhos, e um belo café da manhã. Acontece que tem muita gente mais preocupada em compartilhar nas redes, em caçar likes como vagalumes, em busca de suas luzes instantâneas e efêmeras.

Nada disso é um problema. O problema é quando você está mais lá do que cá, quando na obsessão pelo virtual, está deslizando o dedo pela tela em vez de aproveitar o jantar com um vinho com sua esposa.

Ou quando qualquer um que assine seu perfil no Facebook o conhece melhor do que a pessoa ao seu lado.

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Tia Lea way of life

Tia Lea é minha tia avó, uma senhora muito mais animada e falante do que muita mocinha universitária por aí.  Quando fomos entregar o nosso convite de casamento, ela abriu um sorriso, e do alto de sua sabedoria de gente que já viu e viveu muito mais, disse: 

“Ah, eu vou sim, viu, bem? Eu vou em tudo. É só me convidar que eu vou.”

Nos contou como sua agenda estava atribulada, com festas de casamento, batizado de netos e bisnetos, sobrinhos, aniversário do primo do tio da cunhada da vizinha! E estava feliz, cercando-se de gente positiva. 

Talvez seja uma característica de mineiro de família grande, essa coisa de estar sempre próximo, reunir-se no fim do ano, encontrar gente. Gente, essa coisa que faz tão bem! 

Tia Lea tem felicidade de muitos carnavais. :)

Tia Lea tem felicidade de muitos carnavais. :)

As palavras de Tia Lea ecoaram em nossas mentes por muito tempo. Tinha uma época que não estávamos bem em Campinas, havíamos mudado para a cidade há pouco, e não tínhamos amigos aqui. Resolvemos adotar como missão de vida o título deste post: “tia Lea way of life.”

Passamos a ir em tudo. A menos que a data estivesse preenchida por outro compromisso, ou que a conta bancária realmente não permitisse, nós colocávamos os pés para fora de casa. Nada de ficar deitado no sofá em vez de encontrar gente. 

Não é tão fácil na prática como na teoria. Várias vezes saímos para um barzinho em um dia ruim, chuvoso, para encontrar um colega de trabalho em um lugar abarrotado, caro, e chato.  Várias vezes sentamos na mesa tentando interagir, sem muito sucesso. 

A sabedoria popular diz que se você foi convidado, é porque a sua presença é bem vinda. Mas algo acontece quando você vai: as pessoas convidam. Sim, nesta ordem. Claro, alguns convites precisam acontecer, mas se você está presente, é lembrado e te convidam mais, um círculo virtuoso. Infelizmente, o contrário também é verdade. Deixe de aparecer em três ou quatro eventos seguidos, e o convite para o quinto pode nem chegar.

Ouçamos todos então os sábios conselhos de tia Lea. Ficar sentado no sofá é muito chato, o negócio é sair e participar, encontrar gente. Viu, bem, é só convidar que eu vou! 

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Adotar um cachorro é o maior barato!

Há uma semana adotamos de um canil de Holambra este animal, curioso e peste, chamado Estrelinha, graças a uma cicatriz no alto da cabeça que parecia uma estrela.

Estrelinha depois do passeio é mais língua que cachorro.

Estrelinha depois do passeio é mais língua que cachorro.

É uma sensação estranha ser responsável por esse ser. Se a gente não der comida, ela não come. Se a gente não levar para passear, ela não passeia. Ou, como dona esposa colocou, “já parou para pensar que daqui para frente todas as nossas decisões, como onde vamos morar, nós vamos pensar nesse ser peludo?” Um pouco assustador, na verdade.

Estrelinha aprendeu muito rápido as regras da casa. Não pode entrar dentro de casa, mesmo se a porta estiver aberta. Aquele é seu pote de ração, de água, e aquela caixa de papelão com um paninho dentro é onde dorme. Agora que já entendeu as regras da casa e quem é que manda, está testando-as. Um passinho de cada vez para dentro de casa, até a gente mandá-la para fora.

Ela faz manha. Muita, muita manha, mas está começando a entender que não funciona com a gente. Ok, funciona, ficamos morrendo de dó, mas não vamos lá fora, e com grande esforço fingimos que não é com a gente.

As muitas faces de Estrelinha.

As muitas faces de Estrelinha.

Já aprendeu onde deve fazer as necessidades. Ou quase. Colocamos umas folhas de jornal no fundo da casa, e para o vento não levá-las, quatro tijolos nos cantos. Estrelinha vai lá, e faz cocô em cima do tijolo. Vai entender…

Uma das coisas boas é que ela está me tirando mais do computador, me fazendo passear e andar na rua, o que é mais divertido do que parece, e movimenta o corpo. Além da carinha hiper mega fofa que sabe fazer, e do jeito que abana o rabo sempre que aparecemos lá fora. Agora só falta ensiná-la a andar de moto e sair por aí pilotando! (Brincadeirinha!)

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